Carlos Wizard Martins: empresário brasileiro e santo dos últimos dias

Ao entrar em um elevador em Curitiba, Brasil, no final da década de 1960, Antônio Martins notou o ascensorista lendo um livro que parecia uma Bíblia. “Irmão, você está lendo a Bíblia?” perguntou o jovem pai e empresário.

José Athaydes, ascensorista e membro de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, respondeu: “Estou lendo o Livro de Mórmon. Você também é mórmon? A qual ramo você pertence?”

Antônio Martins, que não conhecia a Igreja, respondeu: “Pertenço ao ramo de negócios e comércio”.

Com um sorriso, Athaydes perguntou se poderia enviar missionários para visitar sua casa. Quando Antônio Martins perguntou sobre o que eles iriam falar, Athaydes disse simplesmente: “Sobre Jesus Cristo”.

É uma história de Carlos Wizard Martins, o mais velho dos sete filhos de Antônio e Hilda Martins, muitas vezes diz. Ele se lembra bem do dia em que os missionários vestidos de terno, camisa branca e gravata chegaram à sua casa, acompanhados por Athaydes. Carlos e seus pais filiaram-se à Igreja quando ele tinha 12 anos.

Agora um pai de 65 anos, avô e um dos empresários mais bem sucedidos do Brasilos olhos de Carlos Martins se enchem de lágrimas quando pensa em Athaydes, sua vontade de compartilhar o evangelho de Jesus Cristo e a influência que exerceu sobre gerações da família Martins.

“Ele era um homem muito simples”, disse Carlos Martins sobre Athaydes. “Ele ia de bicicleta para o trabalho. Ele não teve muita educação. Ele nunca foi um líder na Igreja; ele era apenas um membro. Mas de alguma forma ele acreditava que todo membro era um missionário.”

Athaydes, 90 anos, ainda mora em Curitiba. Antônio Martins faleceu em 6 de abril de 2022, aos 88 anos, deixando um legado de fé.

Carlos Martins, à direita, com o pai, Antônio Martins, no meio, e a esposa, Vânia Martins, à esquerda.

Carlos Martins, à direita, é fotografado com seu pai, Antônio Martins, no meio, e sua esposa, Vânia Martins, à esquerda, em uma capela SUD em Orem, Utah, pouco antes de Antônio morrer em abril de 2022.

Fornecido por Carlos Martins

Todos os sete filhos de Antônio Martins serviram ou servirão missão (um está se preparando para servir missão sênior com o marido), além de vários netos e bisnetos. “Na verdade, somos uma família missionária”, disse Carlos Martins ao Church News.

O serviço missionário de Carlos Martins inclui uma missão de tempo integral a Portugal quando jovem, presidindo a Missão Brasil João Pessoa de 2001 a 2004, e uma missão humanitária de 2018 a 2020 ajudando refugiados venezuelanos. Agora ele e sua esposa, Vânia, servem como missionários de ala na Ala Taquaral, Estaca Campinas Brasil Castelo. Eles têm seis filhos e 19 netos.

“Eu gosto do conceito de que quando você abre uma maçã, você pode contar o número de sementes. Mas uma vez que essas sementes se transformam em macieira, nunca se sabe quantos frutos essa árvore vai dar”, disse Carlos Martins. “É nisso que acredito agora, é o grande impacto que o evangelho teve em minha família.”

Influências gospel na carreira de Carlos Martins

Carlos Wizard Martins, nascido Carlos Roberto Martins, é conhecido no Brasil por criar o instituto de idiomas Wizard, que ele construiu em uma rede de 3.000 escolas de ensino de inglês. Ei vendeu seu negócio multimilionário em 2013. Desde então, ele e Vânia ampliaram seus investimentos e filantropia.

Formado pela Brigham Young University, Carlos Martins disse que ao longo de sua carreira o Senhor muitas vezes colocou em seu caminho pessoas com ideias semelhantes, pessoas com propósito, direção e valores semelhantes. Ele também encontrou respostas nas escrituras — não necessariamente nas palavras da página, mas nos sentimentos do Espírito.

“Acredito que o Espírito Santo me impactou, me influenciou em muitas de minhas decisões, decisões cotidianas na verdade”, disse ele. “De alguma forma, de alguma forma que não entendemos completamente, o Senhor dirige nosso caminho.”

Para ele, a inspiração vem através da intuição e da conversa com os outros. À medida que ele discute uma ideia e busca informações, seu plano é ajustado e se torna um conceito mais sólido. “É o que chamamos na Igreja de ‘conselho’”, disse ele.

Iniciar um projeto é como passar por um túnel escuro apenas com a luz de um celular, explicou. “Se você está paralisado, se você não se move porque está com medo, de repente a bateria vai acabar e você vai ficar completamente perdido nesse tempo.

“Mas se você tem fé e acredita em você, nas pessoas, no projeto e nos seus planos, você vai seguir um metro, dois metros, três metros, quatro metros até ver a luz no final do túnel.”

Essa lição de seguir em frente com fé provou ser valiosa não apenas nos empreendimentos comerciais de Carlos Martins, mas também no serviço da Igreja de sua família.

Ministrando na fronteira

Enquanto o filho de Carlos e Vânia, Nicholas Martins, se preparava para servir missão de tempo integral, eles temiam que ele não pudesse servir por dois anos fora de casa devido a problemas de desenvolvimento. Vânia sugeriu que ela e Carlos servissem em uma missão de serviço e trouxessem Nicholas com eles.

O momento foi inspirado, disse Vânia Martins, pois a presidência da Área Brasil estava procurando um casal que pudesse trabalhar com os refugiados venezuelanos em Boa Vista, capital do estado brasileiro Roraima, na fronteira com a Venezuela. Eles aceitaram a missão.

Carlos Martins, à direita, é fotografado com seu filho Elder Nicholas Martins, no meio, e sua esposa, Vânia Martins, à esquerda.

Carlos Martins, à direita, é fotografado com seu filho Elder Nicholas Martins, no meio, e sua esposa, Vânia Martins, à esquerda.

Fornecido por Carlos Martins

Ela nunca esquecerá as cenas de cortar o coração que viu quando chegaram a Boa Vista em julho de 2018. Os campos de refugiados estavam lotados e milhares dormiam nas ruas, famintos, doentes e desesperados por assistência. Havia idosos e mães grávidas e famílias jovens com bebês precisando de fraldas e roupas. Ela estava sobrecarregada.

“Quando chegamos, vi tantos problemas, achei que não conseguiria fazer o trabalho”, lembra Vânia Martins. “Comecei a orar: ‘Pai Celestial, dê-me um pouco do seu amor por essas pessoas. Coloque um pouco desse amor no meu coração para que eu possa fazer este trabalho.’”

Suas orações foram respondidas e o amor veio. “Comecei a vê-los como Deus os vê. Comecei a ter compaixão, compaixão que Cristo mostrou. … Com esse sentimento, ficou fácil ajudá-los, ajudando-os a resolver seus problemas da melhor maneira possível”, disse ela.

Carlos Martins é fotografado com uma criança no campo de refugiados venezuelano em Boa Vista, Brasil.

Carlos Martins é fotografado com uma criança no campo de refugiados venezuelano em Boa Vista, Brasil, onde Carlos e sua esposa, Vânia, serviram em uma missão humanitária de 2018 a 2020.

Fornecido por Carlos Martins

Carlos Martins também ficou inicialmente assustado com a tarefa e ofereceu um pedido semelhante ao Senhor por ajuda: “Um sentimento muito forte veio a mim e disse: ‘Calma, Carlos. Este trabalho não é seu. Este trabalho é meu.

“Naquele momento fiquei muito humilhado porque pensei que estava fazendo tudo. Achei que estava resolvendo todos os problemas. Mas na verdade eu era apenas um pequeno instrumento nas mãos do Senhor e Ele estava cuidando de Seus filhos”.

Com a compaixão de Vânia e as conexões empresariais de Carlos, além do apoio de diversas organizações, a Martins ajudou a realocar cerca de 20.000 refugiados para outras partes do Brasil para encontrar trabalho e ter um futuro mais sustentável.

Carlos Martins, à direita, e sua esposa, Vânia, à direita, são fotografados com uma família de refugiados venezuelanos no aeroporto de Boa Vista, Brasil.

Carlos Martins, à direita, e sua esposa, Vânia, à direita, são fotografados com uma família de refugiados venezuelanos no aeroporto de Boa Vista, Brasil. Durante sua missão de 2018 a 2020, os Martins ajudaram a realocar cerca de 20.000 refugiados para outras partes do Brasil terem um futuro mais sustentável.

Fornecido por Carlos Martins

Carlos e Vânia Martins foram recentemente nomeados ganhadores do Prêmio Liberdade na Gala do Freedom Awards 2022 em Provo, Utah, por seus serviços na fronteira Brasil-Venezuela.

“O que fazemos pelo trabalho missionário na Igreja traz muita alegria”, Vânia Martins. “É um tipo diferente de alegria que não podemos encontrar em outras coisas.”

‘Ame, compartilhe, convide’

Durante a pandemia, após voltar para casa de Boa Vista, Carlos Martins recebeu uma mensagem de uma mulher que queria falar com ele sobre sua fé em uma live no Instagram. Logo Vânia Martins e o marido da mulher entraram nas conversas.

Carlos e Vânia convidaram o casal para frequentar a igreja e se encontrar com os missionários. Alguns meses depois, a mulher, o marido e os filhos foram batizados.

Eles continuam realizando lives semanais no Instagram para falar sobre o evangelho. “Já faz dois anos que fizemos isso, uma live devocional semanal no Instagram à noite de domingo”, disse Carlos Martins. Dezenas de telespectadores em todo o Brasil solicitaram exemplares do Livro de Mórmon e visitas de missionários. Vários foram à igreja e alguns foram batizados.

A experiência ao vivo no Instagram lembra Carlos Martins dos princípios de “amar, compartilhar, convidar” que o Élder Gary E. Stevenson, do Quórum dos Doze Apóstolos, enfatizou na conferência geral de abril de 2022.

“Isso é o que temos feito, realmente. Estamos amando, compartilhando e convidando as pessoas pela internet”, disse Carlos Martins.

Vânia Martins acrescentou: “Vimos a diferença que o evangelho faz na vida deles. Essa alegria que vemos neles é a alegria que sentimos também.”

E é a mesma alegria que Carlos Martins sente quando pensa em José Athaydes, o ascensorista, e nos inúmeros frutos que vieram de sua vontade de literalmente abrir as portas do evangelho para a família Martins no elevador naquele dia.

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